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Turma da Sopa
Já faz três anos que a Associação Beneficente Benedito Pacheco conta com a ajuda de Gisele Mantavoni. Distribuindo sopas, pães, frutas, carinho e dignidade esses voluntários tem a missão de tornar a vida dos moradores de rua da cidade de São Paulo mais humana. Conheça quem são eles e saiba como fazer parte dessa Turma.
Voluntários IBM - Quando surgiu a Associação Beneficente Benedito Pacheco – Turma da Sopa?
Gisele Mantovani - A Associação Beneficente Benedito Pacheco foi criada em 1992, em São Paulo, depois que dois amigos assistiram a uma reportagem sobre a morte de moradores de rua por causa do frio. Eles arrecadaram cobertores e saíram distribuindo pelas ruas da cidade. Conversando com os assistidos, os dois amigos perceberam que além da comida, eles precisavam de atenção e de carinho.
“Turma da Sopa” foi o apelido carinhoso dado à Associação pelos próprios moradores de rua – e agora está patenteado.
Voluntários IBM - Que atividades são realizadas por vocês e onde elas se realizam?
Gisele Mantovani - Fazemos distribuição da sopa, pães, frutas e água no viaduto Condessa de São Joaquim, de segunda à quinta-feira, entre 20h30 e 22h.
E ainda:
- Internações e acompanhamento terapêutico dos moradores de rua dependentes químicos e alcoólicos. Encaminhamos os amigos de rua para tratamentos de desintoxicação e conscientização da doença. Hoje, a medicina reconhece a dependência alcoólica ou química como doença e não mais como vício. Também acompanhamos os tratamentos do amigo de rua, realizando visitas nas casas de recuperação de acordo com as normas da instituição que o abriga;
- Pós-tratamento: acompanhamento do Amigo durante três meses por terapeuta, da freqüência em reuniões do AA (Alcoólicos Anônimos), IFL (Instituto Fraternal de Laborterapia) ou NA (Narcóticos Anônimos), além de moradia, tratamento odontológico, oftalmológico, encaminhamento para trabalho, etc;
- Distribuição, uma vez por mês, de cesta básica aos moradores da comunidade carente em frente à sede da associação (são 110 famílias cadastradas);
- Distribuição de cobertores durante o inverno (no ponto onde servimos a sopa e em outros);
- Encaminhamento para solicitação de 2ª via de certidões de nascimento e de casamento.
- Envio do amigo de rua à sua terra natal, após contato com os familiares;
- Bazares beneficentes toda sexta-feira na sede;
- Realização esporádica de eventos diversos, com objetivo de arrecadar fundos.
Voluntários IBM - Como vocês se organizam dentro da Associação?
Gisele Mantovani - Para os trabalhos na rua, nos dividimos em 3 grupos:
Grupo da Distribuição de Sopa: voluntários que cuidam da distribuição da sopa, frutas, água e pão.
Grupo da Conversa: são os voluntários que identificam quais pessoas podem ser trabalhadas. Após esta identificação e de acordo com a sua necessidade, os nossos amigos de rua são encaminhados para tratamento de conscientização da dependência química, tratamento odontológico, emprego ou mesmo retornam à sua terra natal.
Grupo das Crianças: voluntários que servem as crianças, realizam atividades (desenho, etc), sempre preocupados em disseminar conceitos básicos de higiene, educação e respeito.
Há também os trabalhos feitos na associação de busca de certidões, obtenção de passagens para retorno à terra natal, constante negociação de parcerias (com casas de recuperação, tratamentos odontológicos, empregos, etc), distribuição de cestas básicas e bazar beneficente de pechincha para arrecadação de fundos.
Voluntários IBM - Cite um caso de recuperação dos assistidos.
Gisele Mantovani – O Adilson, por exemplo, morou na rua por 17 anos. Ele teve sua vida mudada quando dois voluntários o impediram de jogar-se do viaduto Condessa de São Joaquim. Neste dia, Adilson estava muito alcoolizado e desesperado e aceitou a ajuda dos voluntários, que o encaminharam para internação na CAM (Comunidade de Apoio Mútuo), onde permaneceu por seis meses. Após esse tratamento, foi trabalhar como caseiro na Vila Guilherme mas, 8 meses depois, teve uma recaída e voltou para a rua onde morou mais 5 meses. Novamente pediu ajuda da associação e foi re-encaminhado à CAM. Após mais seis meses de tratamento, recuperou-se e hoje, casado, tem emprego fixo. Além de trabalhar como voluntário na Turma da Sopa todos os dias.
Voluntários IBM - Quais são as expectativas este ano?
Gisele Mantovani - Em 2009, nossa expectativa é de conseguirmos patrocínio para termos uma unidade própria que ofereça cursos profissionalizantes (computação, padaria, etc), terapias, alfabetização e também atendimento oftalmológico. Ou seja, termos uma unidade estruturada para poder continuar o tratamento do dependente que deixou uma casa de recuperação e completar sua reintegração à sociedade, que hoje é feito através de diversas parcerias.
Voluntários IBM - Quem pode se juntar a Turma da Sopa?
Gisele Mantovani - Qualquer pessoa maior de 18 anos pode fazer parte da associação, desde que preencha o Termo de Adesão e a Ficha Cadastral, disponíveis para download no link http://www.turmadasopa.org.br/novo/downloads.asp . Para tanto, é necessário que esteja afinado com a missão, programas e projetos da associação, sendo necessário fazer um curso na própria sede da Turma da Sopa.
Voluntários IBM - Quando você começou a ser voluntária por lá? E o que te motivou?
Gisele Mantovani - Tinha muita vontade de poder auxiliar pessoas em situação de exclusão social, de poder doar um pouco e ajudar outros a encontrarem o melhor em si mesmos.
Procurava algum trabalho voluntário quando recebi um convite de uma amiga para ir a uma festa beneficente. Conheci lá o trabalho da Turma da Sopa e na semana seguinte já fazia parte da associação - desse dia já se passaram três anos. Eu trabalho como voluntária "da conversa" no grupo de distribuição de sopa das segundas-feiras, geralmente entrego as colheres aos nossos "amigos de rua". Nesse momento, não há julgamentos ou preocupações, apenas a sincera intenção de que se sintam valorizados, encorajando-os a encontrar o melhor que há dentro deles mesmos e, quem sabe, descobrirem que podem fazer uma opção diferente, conscientizando-os da sua própria capacidade de transformação.
É um trabalho lento e gradual, com ênfase no carinho e respeito. O voluntário precisa ter disposição para ouvir, conversar e principalmente despertar nos moradores de rua a vontade de construir uma vida melhor. A distribuição de sopa serve como instrumento valiosíssimo nesse processo, é uma forma de nos aproximarmos deles.
Para você ter uma idéia, somente em São Paulo existem mais de 13.000 pessoas em situação de rua (fonte FIPE-2003). É nesse cenário que emergem, a solidão, a depressão, o alcoolismo, a loucura, a perda da identidade. Cabe a sociedade refletir sobre os direitos humanos tratando nossos semelhantes com dignidade e igualdade.
Voluntários IBM - Quais são os aspectos positivos de ser uma voluntária?
Gisele Mantovani - Você aprende e cresce com o trabalho voluntário, é uma via de duas mãos: você doa e recebe muito também. Muitas vezes saímos do nosso trabalho com preocupações ou carregamos problemas pessoais e, ao deparar-nos com pessoas que passam por situações muito piores que as nossas, invariavelmente revisamos conceitos e começamos a enxergar do ponto de vista do outro. Somente ouvindo e compreendendo, podemos tentar entender e ajudá-los a despertar para uma nova e melhor possibilidade de vida. Assim, acabamos analisando nossos próprios desafios e encontramos caminhos alternativos mais facilmente, pois é um exercício que fazemos ao mesmo tempo conosco também.
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Os voluntários da Turma da Sopa
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Voluntários IBM - Que conselhos daria para alguém que busca o voluntariado?
Gisele Mantovani - Primeiramente, procure identificar que tipo de atividades você tem mais afinidade e, ao mesmo tempo, estrutura emocional para gerenciar. Claro que é difícil você lidar com pessoas em qualquer situação de necessidade, seja ela física, emocional, social, etc. Não diria tampouco que você se acostumará com isso, mas aprende a enxergar por outro ângulo e passa a "aceitar" a situação, agindo como um "facilitador", entendendo que o seu papel é de despertar a consciência do dependente o potencial que existe em cada um de nós e quem sabe plantar uma semente de transformação.
Em segundo lugar, pense que tipos de habilidades você tem e estaria disposto a doar e escolha um dia/hora para dedicar-se. Pode ser que você tenha algum conhecimento de informática e possa dar aulas a iniciantes, fale bem algum idioma, conheça música, seja um ótimo contador de histórias. Não importa, mesmo que você pense que não tem um "dom especial", lembre-se de que a língua do amor é universal e será "pré-requisito" para qualquer escolha que faça.
Finalmente, converse com amigos que são voluntários, troque idéias, acompanhe-os em um dia de trabalho para sentir se é isso que você deseja. Escolha uma instituição que seja séria. Recomendo que pesquise no Mapa do 3º Setor (organizado pela FGV) www.mapadoterceirosetor.org.br. A Turma da Sopa está listada lá como "Associação Beneficente Benedito Pacheco", nossa razão social (que deve mudar para Turma da Sopa em breve).
Voluntários IBM - E quem quiser ajudar a Turma da Sopa?
Gisele Mantovani - Se você estiver interessado em conhecer melhor o trabalho da Turma da Sopa, eu o convido a visitar nosso site www.turmadasopa.org.br ou mesmo fazer contato pelo meu blog. Há várias maneiras de ajudar, seja ela nos grupos de distribuição de sopa, na busca de documentos, organização de eventos beneficentes, doações em dinheiro ou bens (móveis, alimentos, roupas, etc), patrocinando projetos e outros.
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